Final feliz?
Mais uma novela que acaba e mais uma decepção. Cadê o beijo gay?! O capítulo até começou bom, parece que o autor resolveu realizar na novela tudo que ele queria que acontecesse na vida real: senadora perua oriunda do movimento "Chega!", primeiro Oscar para o Brasil, família fora dos padrões que consegue por nome de dois pais no registro de nascimento e casamento gay. A cena foi cortada no momento que os atores deram as mãos e eu confesso que fiquei arrasada. Estava pensando "Uau, células-tronco e beijo gay na novela na mesma semana", mas vi que me animei cedo demais. Como é que pode mostrar a novela inteira a mulher descendo pelo cano pelada e não pode ter uma bitoquinha de pessoas do mesmo sexo, que por sinal estavam numa relação muito monogâmica e caretinha? Por que pode família de dois pais e não pode beijo de dois noivos? Ai, isso me deprime. Nessas horas eu penso em todos os casais que eu conheço ou conheci que não ousam segurar as mãos em público, quanto mais beijar-se em público. Arghhhhh, emissora desgraçada!
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Fhoutz
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22h12
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Hello, darkness, my old friend
Transformações incorpóreas dos corpos. Os sentimentos e os estados variados de humor existem, mas é quando damos nome a eles que eles ganham cores, gradações, status de doença, de síndromes, de transtornos. Mas como já disse o sábio filósofo francês, não há nada mais passional que a racionalidade pura. Por isso eu lembro que os sentimentos, sentem-se, não se explicam. Mas não deixo de pensar por que razão ela sempre sempre está de volta. Essa escuridão, essa gastura, essa tristeza sem nome que reaparece de tempos em tempos. Houve um tempo que eu sentia falta "do conforto de estar triste", mas agora esta sensação só me atormenta. Por que, por que você voltou? Por que sinto-me tão impotente, tomada por esta sombra, essa nuvem negra que se move sobre a terra e que teima em pairar justamente sobre minha cabeça? A única solução é deitar e esperar que vá embora. E não adianta pensar que ela se foi pra sempre. Ela sempre está de volta, essa velha amiga, a tristeza.
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Fhoutz
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13h07
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Mais um post sobre novela
(Pronto, um título antitucanês. Um dia desses me deixaram um comentário de que esse blog já foi mais interessante. Eu aposto que sim, mas enfim, a gente escreve sobre o que está vivendo. Eu já escrevi sobre ficar bêbada e tragicomédias com bofes, hoje escrevo sobre luto pela morte do meu gato e novela. Paciência, ou é isso ou então eu vou falar de Deleuze, minha última paixonite filosófica. Melhor ir de novela.)
Gente, o que foi aquela cena da Sílvia na novela? A mulher pula muro de salto alto e não perde a pose. Só por isso ela já merecia um prêmio. Mas vocês sabem, vilã de novela morre, vai presa ou fica louca. Como essa vivia de camisola e gostava muito de homem, teve punição dupla que é pra se aprender a se comportar. Foi presa e ficou louca, que é pra dar o exemplo. Camisa de força e tudo, cruzes. Quando a gente pensa que a luta antimanicomial está aí pra ficar sempre aparece uma dessa. Ai, que absurdo!
Mas eu acho que isso não é o pior desta novela. O pior é que a mocinha é mãe solteira, trabalha de caixa de supermercado e mora num apartamento bem arrumadinho, só usa roupas bonitas, está sempre maquiada e com o cabelo bonito, tem empregada e o filho dela estuda em colégio privado e tem um laptop no quarto. E enquanto isso eu aqui celebrando o enorme aumento que o governo concedeu pras bolsas de mestrado e doutorado no país. Vocês sabem, nós pesquisadores ganhamos muuuuuito bem. Vai ver é pras pessoas não se meterem a besta com esse negócio de produção de conhecimento, porque, segundo nos mostra a novela, se você se for esforçado pode viver muito bem sendo caixa de supermercado. Mas tem que ser esforçado, viu?! E bonzinho.
Isso me lembra uma cena de um dos meus filmes preferidos, Um Príncipe em Nova York. É quando o funcionário da lanchonete diz pro Eddie Murphy que ele começou varrendo o chão, está lavando alfaces e que em poucos anos deve chegar à subgerente e aí, sim, vai começar uma graninha. Pois bem, meus amigos,hoje eu estou nesse miserê do mestrado. Mas em breve estarei no doutorado e dentro de cinco anos terei uma bolsa de pós-doc. E aí sim começa a rolar uma graninha. Cinco anos, hein? Bom, antes tarde que nunca, porque como diria a musa, tô de saco cheio de ser pobre, hahahahaha.
CANTINHO TERRORISTA: Só em novela é que a gente vê médico pobre e caixa de supermercado que mora em condomínio chique.
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Fhoutz
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22h33
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Chega de tristeza, vou adotar outro gatinho. O problema é achar um filhote que seja tão legal quanto o Caramelo. Ele era o gatinho perfeito.
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Fhoutz
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11h12
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