Tibet free!
Eu não sei você, caro leitor, mas eu estou adorando todo o bafón envolvendo as olimpíadas, os monges, a tocha e os protestos pela independência do Tibet. Achei o máximo quando apagaram a tocha em Paris. A-do-rei.
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Fhoutz
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Diretrizes de paz em tempos de guerra
Eu já falei várias vezes que há três coisas que me salvaram do abismo com o qual eu flertei durante anos. Meu marido, o mestrado e a análise. Ou se você preferir, a descoberta do amor. Do amor romântico, correspondido na mesma medida, sem exageros e sem deficiências. Uma felicidade constante e ao mesmo tempo crescente, mas não uma explosão maníaca. Amor sereno, sem pressa, só amor. E amor-próprio. O amor pelo saber, pelo pensamento, pelas artes e pelas letras. Saber se respeitar por ter feito algumas escolhas tortas e ter coragem ainda que hesitante pra mudar de rota. Tudo isso está interligado. A análise me ajuda em todas as minhas relações, o mestrado me ajuda a pensar, o amor me dá forças. No fundo é uma coisa só. E eu que morria de medo de enlouquecer ou de fazer tanta cagada a ponto de terminar meus dias sozinha numa casa com 18 gatos e um enfisema pulmonar, agora me vejo muito tranquilamente como mulher casada, que quer ser mãe num futuro próximo, não-fumante e considerando até ter um cachorro. Eu não preciso mais me vestir de rebelde porque só eu sei o que me vai na cabeça e no coração. Acho que pela primeira vez na vida eu não estou ligando pro que as pessoas pensam sobre mim. Ou pelo menos não estou me deixando afetar por isso, o que já é um grande passo. Enorme.
Se no rock'n'roll tenho a minha santíssima trindade, na filosofia não poderia ser diferente. Tenho Nietzsche, Foucault e Deleuze na mais alta conta. E eu não sei se é assim com todo mundo, mas eu levo isso muito a sério. Chego a me perguntar como é possível que alguém fique indiferente diante desses pensadores. Houve dias em que aulas sobre eles me salvaram a vida. Vale uma sessão de análise, com certeza. Não é só filosofia. É outro modo de pensar, de olhar pro mundo e para si. E como é difícil se permitir um outro modo de olhar pra si mesmo, livre dos papéis que os outros e que nós estabelecemos, que sem querer acabamos encenando, ou que nos obrigamos a encenar. Ler esses caras é a possibilidade de rasgar o script, mas para isso você tem que estar aberto, se deixar afetar.
Uma coisa que eu percebi recentemente é que as coisas têm o peso que nós damos a elas, principalmente as coisas ruins, que criam ressentimentos e paralisam as ações e tornam as pessoas amargas e terrivelmente reativas. E isso é muito importante para manter a cabeça no lugar quando as coisas a seu redor parecem querer por força te tragar para uma espiral de destruição. Não, obrigada, eu não sou mais desse jeito, você não vai me apanhar tão facilmente. A única salvação para o ser humano é a alegria, já diria Clarice. E não é que do dia pra noite eu tenha virado hippie ou ache que tudo está lindo e maravilhoso, porque há contas a pagar e problemas a resolver, sempre um após o outro e cada vez mais. É impossível mudar este ciclo, mas é possível mudar a si mesmo, mudar a forma como se age no meio da tempestade. Porque o mundo é muito escroto, trágico e injusto mas há muita vida por outro lado. Você que escolhe as tintas com que vai pintar a sua existência. Eu decidi pintar a minha como uma ode ao amor.
CANTINHO TERRORISTA: Because if it is not love, then it's the bomb that will bring us together.
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Fhoutz
às
14h06
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