A falta que ele me faz
Sim, este é mais um texto sobre cigarroNa primeira semana da minha empreitada para parar de fumar eu fui buscar inspiração na internet. Olhei comunidades no Orkut e sites que davam dicas para abandonar o cigarro. Quase tudo era muito babaca, mas tinha uma matéria em alguma site do UOL que falava que para parar de fumar a pessoa deveria primeiro compreender por que fumava: se era pra ter o que fazer com as mãos, pra relaxar, para se concentrar, se realmente tinha prazer em fumar. Eu marcava todas as alternativas e ainda conseguia pensar em mais algumas.
Após 21 dias sem fumar tenho a sensação de ter perdido um companheiro. Só quem é ou foi fumante sabe a falta que faz a nicotina quando se está esperando, quando se toma cerveja/vinho/café/coca-cola, quando se acaba de comer. Nesses sites babacas dizem pra carregar sempre consigo balas, mas eu queria saber que diabo tem a ver bala pra substituir o fumo. Pra mim bala na bolsa só serve pra tirar o gostão do cigarro!
O que eu faço agora pra fazer o ônibus chegar mais rápido? Você aí que não fuma pode não saber, mas existe uma espécie de lei de Murphy do cigarro e os ônibus. Sempre que se está esperando um ônibus basta acender um cigarro pra ele passar, não importa o tempo que você estiver na parada. Se chegar lá e acender será o primeiro ônibus a aparecer. Se tiver chegado lá pensando em não acender o cigarro porque o ônibus não deve demorar logo se passarão 15 minutos e quando você finalmente resolver acender o cigarro, o ônibus surgirá antes da terceira tragada.
Um dia desses eu fui a uma balada que sempre ia com um amigo que se mudou pro Canadá. Foi estranho, porque o lugar não parecia o mesmo sem ele, perdeu um pouco a graça. E é assim com algumas situações sem o cigarro. Tinha uma coisa muito poser que eu gostava de fazer quando a minha vida estava sem glamour que era ir a um café e ficar de óculos escuros enormes, fumando, tomando capuccino e folheando revistas. Eu me sentia a própria Carrie do Sex and The City. Sem o cigarro a cena perde todo o charme, é só uma mulher prejudicando sua visão lendo revista de fofoca enquanto toma café. Ou então eu pedia uma taça de vinho no bar ao lado da PUC no intervalo da aula da tarde e da noite e ficava no fundo do bar estudando. Afinal, não dá pra fumar na biblioteca.
O problema da falta do cigarro é que ele ajuda na composição do personagem. Se eu quero ser glamourosa, cigarro. Se eu quero parecer intelectual, cigarro. Se estou me sentindo boêmia, cigarro. Se quero parecer uma mulher fatal e misteriosa, cigarro. Mas eu acho que a minha decisão de parar tem a ver com o abandono dos personagens e das muletas que eles necessitam. Meu amigo canadense disse que será estranho me encontrar sem que eu esteja fumando e/ou bebendo. Eu pensei um pouco nisso, mas depois percebi que o que nos une não são os vícios: é o espírito de porco e a maledicência. E esses aí eu não pretendo abandonar tão cedo.
CANTINHO TERRORISTA: O ministério da saúde adverte: parar de fumar é prejudicial à sua dieta.
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Fhoutz
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