Noivo neurótico, Noiva nervosa
Vocês lembram do Dominó? Aquele grupo clássico criado pelo Gugu que cantava os superhits "Manequim", "Tô P da vida" e "É uma bruta ansiedade". Eu estava lembrando disso um dia desses e não acredito que as pessoas não lembrem. Isso é muito anos 80 e por consequência, muito divertido.
Mas eu lembrei dessa música porque hoje é a minha penúltima sexta-feira como solteira e eu estpi em casa e gripada. Aposto que meu corpo está dando um jeito de deixar sair a ansiedade que eu luto pra disfarçar. Pronto, falei, estou bem nervosa com o casamento. Deve ser por isso que ando impaciente, brigona e cansada, muito cansada. Tenho dormido pouco, parece que o tempo não rende e que eu não dou conta de fazer tudo o que tenho pra fazer.
Eu ainda não tenho sapato, ainda não reservei a lua-de-mel, a noite de núpcias, buquê. Ainda falta distribuir alguns convites, preparar a trilha sonora, falta ir buscar meu véu e ainda vou ter que começar a preparação física da coisa com limpeza de pele e afins. Hoje eu tentei pôr meu vestido de noiva sozinha e não consegui fecha-lo. Será que estou gorda a ponto de o zíper não subir? Tô com medo de vários amigos não irem à festa porque é longe e eles não têm carro. Será que vai ter mais gente que eu não conheço no meu casamento que minha família e meus amigos?
Eu quero que tudo saia perfeito. Que todo mundo dance e se divirta e que a gente se divirta. Mas fico preocupada se as pessoas vão gostar do tipo de festa, se vão dançar, se vai ser um casamento animado, se vai chover. Uma vez eu fui a um casamento que a noiva teve que atrasar mais de uma hora porque os convidados chegaram tarde e eu não vou poder fazer isso porque o juiz tem horário. E pra completar dois amigos têm prova no dia seguinte e vão ter que ir embora cedo.
Agora eu entendo aquele filme que a noiva fugia.
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Fhoutz
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01h06
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O silicone e a carreira
Esses dias eu soube que a minha prima de 19 anos colocou silicone. Eu já sou muito desconfiada em relação a cirurgia plástica, porque fico maluca em viver num mundo que o tempo todo te diz que você é feio. Mas o problema não é que este mundo te diga que você é feio, é que ele te diz que você nunca é bom o bastante. Essa minha prima é linda. Linda. Rosto perfeito e um corpo de matar. Mas aparentemente tinha alguma coisa faltando que se resolve com silicone. E o pior é que as pessoas comentam isso com uma naturalidade assustadora. Dizem que "ficou legal", porque aparentemente é algo muito tranquilo uma menina de 19 anos entrar na faca e por uma substância estranha no corpo dela pra que ele fique "melhor". Tem algo muito errado com o mundo.
E depois as pessoas pegam no meu pé porque eu fumo.
Semana passada eu estava conversando com uma ex-colega de trabalho com quem eu não tinha contato há tempos. Foi muito estranho. Numa conversa de "e aí, como anda a vida?" a menina só falou de trabalho. Bom, quando você só trabalha acaba falando só disso, mas como diz meu amigo e guru, Elvis, pessoas que só falam de trabalho são muito chatas. Mas como essa menina era muito legal e alegre quando eu a conheci eu pensei que teríamos algo a mais pra conversar sem ser carreira. Ela perguntou onde eu estava, que em linguagem de jornalista, seres que vivem mudando de emprego, quer dizer onde eu estava trabalhando. Eu respondi que não estava mais no jornalismo. "E estás investindo em que?", perguntou ela. Eu disse que estava fazendo mestrado, mas eu acho essa palavra "investindo" muito pesada. Sabe, eu não estou na academia porque isso "serve" pra alguma coisa. Mas é o tipo de coisa que eu acho que não vale a pena tentar explicar.
Na verdade eu acho isso triste porque eu sei que as pessoas estão levando as vidas delas na melhor das intenções, por isso eu guardo meus julgamentos para mim mesma. Mas por algum motivo que eu desconheço a recíproca não é verdadeira. Você sempre tem de ter um plano pro futuro, sempre tem que melhorar, sempre tem que estar investindo em alguma coisa. Putz, eu surto com essas coisas e surto sozinha, como um Zaratustra na praça. Falando para todos e para ninguém.
Olha, eu acho bizarro ver pessoas bonitas fazendo cirurgia plástica porque o mundo diz pra elas que elas não nasceram com os peitos ou os narizes perfeitos. Assim como acho péssimo uma pessoa dedicar a vida ao trabalho e viver o tempo que sobra. Mas eu não digo isso pra essas pessoas, eu já estou satisfeita de ter me livrado dessas cargas. O que me fode a vida é que essas pessoas que acham isso tudo é muito legal se dão o direito de me dizer que eu tenho que parar de fumar, me dão conselhos sobre carreira e ainda têm a pachorra de dizer "daqui a alguns anos você muda". Ou então aquele papo de que pagar contas muda sua perspectiva das coisas.
Pois bem queridos, isso deve ser uma surpresa pra vocês, mas aspirantes a intelectuais também pagam contas, também se casam, também têm filhos, barrigas de cerveja e eventualmente doenças bem graves. E sabendo de tudo isso eu não preciso de ninguém me dizendo que meu estilo de vida dá câncer ou perguntando o que eu quero da vida. O que eu quero da vida é a vida e se você não é capaz de entender isso, eu sinto muito. Não estou preocupada com o que pessoas assim vão pensar, porque eu penso muito mal delas também. Só não quero que me encham o saco.
CANTINHO TERRORISTA: E se me perguntarem da minha carreira, eu vou dizer que a minha carreira é baseada nas drogas.
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Fhoutz
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23h03
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Polícia para quem precisa
Primeiro foi no Rio de Janeiro com o show do The Police. Agora soube que vai ter em São Paulo o Interpol.
Fala sério, isso não é efeito Bope?
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Fhoutz
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01h31
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O fim de uma era
Eu nunca mais serei solteira novamente. De agora em diante vou escrever nos formulários "ESTADO CIVIL: CASADA". Fala se não é estranho? E a minha certidão de casamento passará a ser usada no lugar da de nascimento. Muito estranho e olha que eu nem vou mudar meu nome. Já pensou acordar um dia com um nome e ir dormir com outro? Não, não dá.
Eu que nunca chamei o meu namorado de noivo, terei um marido. E ele nem tem cara de marido. Maridos são chatos, reclamões e deixam as mulheres malucas. Ele é doce e me deixa menos maluca do que eu costumava ser. Tem muito mais jeito de namorado.
Terei um marido. Logo eu, que tive uma experiência desastrosa dividindo o teto com quem não era parente (e não muito melhores com quem era). Logo eu, que gosto tanto de ficar sozinha em casa, de ter meu espaço, de ouvir música alta, de ir ao banheiro de porta aberta, do "silêncio eterno desses espaços infinitos".
Dividirei uma cama, um lar e uma vida. E eu acho que nunca fui muito boa nesse negócio de compartilhar. Eu que sempre detestei trabalho em grupo. Eu que adoro os prazeres da vida de solteira. Sair da faculdade e ficar no boteco até tarde jogando conversa fora, sair para dançar e voltar pra casa com o sol, sair sem destino e sem ter de dar satisfações, dormir na casa dos outros, se for o caso. Sem horários marcados, sem neuras além das que eu já carrego comigo.
Mudarei de cidades. Logo eu, que detesto mudanças. Logo eu, que adoro o lugar onde moro. Mas o casamento não é isso, mudar?
No último sábado e eu uns amigos tivemos uma balada muito divertida e agradável que terminou às sete da manhã e eu vim andando pra casa depois de tomar café numa padaria aqui perto. É o tipo de coisa que não vai mais acontecer com frequência. Mas apesar de saber disso e de gostar tanto desta vida boêmia, eu me sinto tão feliz porque tenho essas pessoas e porque vou me casar. Dá uma sensação de que a minha vida finalmente deixou de ser um eterno ensaio e começou de verdade. O casamento é um rito de passagem marcante, não dá pra ignorar isso. Mas é engraçado, porque eu me sinto leve.
No dia dessa balada tocou uma música que eu gosto bastante do REM e eu nunca tinha pensando nela desta forma. Ela diz "It's the end of the world as we know it... and I feel fine". É o fim do mundo como o conhecemos e eu me sinto bem. É o fim do mundo como o conhecemos. Entre os meus amigos íntimos eu sou a primeira a se casar formalmente e isso é uma novidade pra todo mundo.
É o fim de uma era. O que virá depois disso, eu espero que não seja muito diferente. Espero ter ainda um namorado a quem eu vou chamar de marido, mas que continue sendo namorado. E mudar de estado civil, não de personalidade. Eu não vou virar "uma esposa", se é que vocês me entendem. E eu ainda pretendo continuar enchendo a cara e dando uns surtos de vez em quando, mas apenas para o lado bom da força. No fundo, eu não acho que vai mudar muita coisa, mas é fato que será outra coisa. Uma nova era, na qual eu serei "senhora". E eu até gosto.
CANTINHO TERRORISTA: Não dizem que se casamento fosse bom não precisava de testemunha? Bom, eu tenho quatro...
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Fhoutz
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01h20
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