Tolerância (quase) zero
A cada dia está mais difícil encontrar alguém com que eu possa realmente conversar. Olha que eu gosto pra caramba de falar. Mas existe uma diferença muito grande entre conversar e jogar conversa fora. Ultimamente isso só tem sido possível com outros acadêmicos e pessoas que eu conheço há muito tempo. E tem vezes que nem assim vai.
Eu já escrevi sobre isso aqui. Há pessoas com quem é impossível estabelecer comunicação e eu me sinto péssima por isso, parece que perco um pouco da minha humanidade. Mas ultimamente minha tolerância anda muito curta e eu começo a achar que isso não é problema meu. Resumindo, eu começo a achar que vou me tornar uma vaca arrogante isolada no seu mundinho intelectualzinho. Eu não queria isso, juro. Mas tem horas que eu acho que é inevitável. Eu não consigo mais ouvir qualquer coisa.
Semana passada eu tive dois exemplos disso. Tinha conhecido, em dias diferentes, duas pessoas simpáticas, mas umas poucas palavras me fizeram desistir delas. Na primeira ocasião foi uma menina que em meia hora soltou umas quatro frases começadas com "meu marido não deixa/ meu marido não gosta/ meu marido falou". Coitada, a menina é evangélica e foi criada pra pensar desse jeito. Provavelmente ela deve achar que eu vou queimar no inferno enquanto eu simplesmente perdi a vontade de conversar com ela.
Uns dias depois disso conheci um cara amigo de amigos meus. O moço era simpático, mas quando minha amiga foi acender um cigarro ele soltou essa: "Tu sabias que tu estás pagando pra ter câncer?". Eu não levei nem dois segundos pra retrucar e dizer que ele também, uma vez que morava em São Paulo. Ah, não, leitor. Esse é o tipo de coisa que consegue, de uma vez só ser moralista, rude e burra (porque não é só quem fuma que tem câncer, baby). Enfim, junta basicamente tudo o que eu detesto e pronto, já desisti da pessoa.
Desculpem, eu sei que isso é um pouco arrogante da minha parte e eu não gosto de gente assim. Mas eu não consigo mais ouvir pessoas dizendo que alguém não pode ser anarquista porque nasceu "burguês", que se a polícia fosse como no "Tropa de Elite" tudo seria lindo no Brasil, que as drogas legais são melhores que as ilegais pelo simples fato de serem autorizadas, que a educação das crianças tem mesmo que ser baseada em recompensa e punição, que Deus faz as pessoas terem câncer pra ensinar alguma coisa a elas e qualquer outra dessas afirmações baseadas no senso comum e na preguiça mental.
Ando tão sem paciência pra essas coisas que eu nem discuto e simplesmente vou embora. Como um ent, eu só entro em uma discussão se eu acho que ela vale o tempo que eu vou gastar dizendo aquelas coisas. Ultimamente tem valido mais a pena me calar e sorrir com resignção.
CANTINHO TERRORISTA: Eu vou mesmo ser a velha dos gatos.
:: Postado por
Fhoutz
às
09h34
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