
O bolo de mentira
E outras coisas bizarras no ramo de casamentos
Quando Frodo recebeu O Um Anel, herdado do tio Bilbo, ele não havia imaginado a força que aquele circulo de metal possuía. Pouco a pouco o anel se tornou pesado e passou a tomar conta de sua mente. O anel dava poderes e também o fazia desaparecer.
Este negócio de noivado é mais ou menos assim.
Preparar um casamento é engraçado. Existe um universo paralelo das noivas. Subitamente você é promovida à categoria de “mulher séria”, já que alguém quis casar com você. É bom, porque as amigas que namoram a mais tempo olham com uma certa inveja e admiração. Elas também querem carregar o anel. De repente ninguém pergunta mais sobre o mestrado ou simplesmente como vai a vida. As pessoas perguntam quando você vai casar.
É uma experiência interessante. No noivado a gente descobre que embora casamento seja uma coisa hiper-mega-tradicional, ele também tem suas modas. Tem a moda do tapete verde, da mesa de vidro e das gérberas. E tem a moda dos brindes, como a das sandálias havaianas personalizadas. Sem falar na parte da festa em que os convidados recebem boas e óculos coloridos para se jogar na pista de dança. Brega, brega no último. E, é claro, tudo isso joga o preço lá pra cima (que já não é barato).
Semana passada eu e meu digníssimo estivemos num buffet para ver detalhes sobre o casamento. Tudo estava indo muito bem (espaço legal, boa estrutura, preço razoável) até que tivemos a (in)feliz idéia de conversar sobre os detalhes.
Pra começar tentaram nos empurrar um tal bolo “de pasta americana”. Segundo a moça do buffet este bolo decorativo fica na mesa mas não é servido aos convidados. Perguntamos então se poderíamos comer o bolo depois, mas para nossa surpresa o tal bolo é um bolo de mentira! Segundo ela “é assim que as pessoas têm feito ultimamente”. Eu não sei você, leitor, mas pra mim casamento com bolo de mentira é no mínimo ridículo. Simplesmente uma das partes mais importantes do ritual é uma farsa. E se eu gostasse de farsa eu iria pedir a autorização da Igreja.
Mas não é só isso. Num buffet que cobra R$ 33 reais por pessoa para servir coquetel (leia-se salgadinhos) e refri, água e cerveja, as organizadoras tiveram o descaramento de me dizer que serviriam uma garrafa de cerveja por pessoa. Uma cerveja por pessoa! Por pouco eu não perguntei se era piada. Onde já se viu uma festa em que cada pessoa toma apenas uma garrafa de cerveja? Será que as pessoas nunca ouviram falar do primeiro milagre de Jesus, na transformação da água no vinho? Desde os tempos bíblicos todo mundo sabe que não pode faltar bebida num casamento!
A verdade é que casar é caro, dá trabalho e se pensar bem não faz muito sentido hoje em dia. Mas de uns tempos pra cá eu passei a acreditar no amor eterno, nos rituais e nas festas de família. Portanto, eu quero fazer isso, vai ser bom reunir as pessoas que eu gosto e celebrar minha união. Mas nesse projeto não cabe bolo falso, cerveja mirrada ou qualquer outra tendência ridícula.
CANTINHO CASAMENTEIRO: Se eu quisesse um casamento brega entraria ao som de “Como uma deusa”.
:: Postado por
Fhoutz
às
11h46
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