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Fhoutz
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Pelo direito de decidir
Há umas duas ou três semanas eu estava em casa vendo o programa da Luciana Gimenez e me surpreendi com um quadro de debates. Pelo que eu entendi é uma disputa chamada Nitroglicerina em que dois participantes têm de defender posições opostas sobre temas polêmicos. No dia falaram sobre pena de morte e aborto. No blog do Punk Canibal (link ao lado), há uma análise muito boa sobre esses temas, pois esquerda é tradicionalmente contra a pena de morte e a favor do aborto, enquanto a direito é contra o aborto e pela pena de morte.
Agora o papa vem aí e eu voltei a pensar nisso. Eu não tinha pensado em escrever nada antes falando sobre esse tema porque pra mim a questão está tão clara que me parece bobo discutir isso. Mas, é claro, eu estou enganada. É preciso discutir este tipo de coisa, reafirmar posições, porque é isso que o “dark side” faz. Pois bem, eu não sou a favor do aborto. Não sei se alguém é a favor do aborto. O que eu defendo é o direito de decidir.
Sejamos honestos: o aborto existe. Não vamos entrar na conversa moralista de que as pessoas precisam se prevenir. Precisam, sim. Mas eventualmente gestações indesejadas acontecem, seja por uma violência, por falha no uso do preservativo, erros no uso da pílula, cálculos de período fértil mal-feitos e também, por irresponsabilidade. Não cabe julgar a causa. O que importa é que se uma adolescente ou uma mulher feita engravidar e não quiser/puder levar a gestação até o fim, ela não vai levar. A diferença é que as mulheres de que têm condições irão a clínicas limpinhas e serão atendidas por médicos. As que não tem vão tomar Citotec, introduzirão agulhas de tricô na vagina ou irão a algum açougueiro. Muitas delas morrerão de infecção, terão hemorragias ou ficarão estéreis.
O direito de decidir não tem nada a ver com religião e com as discussões de quando a vida começa, mas é antes de tudo uma questão de saúde pública. Dane-se se o papa ou a bancada evangélica acha que quem aborta vai para o inferno. Se nem todos compartilham da mesma crença, a lei não pode ser baseada em princípios religiosos. Abortar não é uma decisão fácil mesmo que você não acredite em nada. Conheço pessoas que o fizeram por razões variadas. Nenhuma relatou a experiência como algo maravilhoso.
Eu mesma, que nunca estive grávida, não sei o que faria se em outras épocas da minha vida me deparasse com essa possibilidade. A maternidade é uma coisa séria demais para que seja uma imposição. Um filho tem de ser desejado. Ser mãe nunca fez parte dos meus sonhos. Ao contrário, na maioria das vezes em que eu penso em ter um bebê, meus dedos do pé se encolhem. Não tenho a menor vontade de ficar grávida, de parir, de amamentar. (De adotar, sim, porque eu acho que não é preciso gerar alguém para ser mãe. Mas isso não vem ao caso). Contudo, se engravidasse hoje não faria um aborto. E não seria por medo de ir para o inferno ou porque eu tenho um relacionamento feliz e estável. Eu não faria por medo de cair nas mãos de um açougueiro, por medo de sofrer danos irreversíveis.
CANTINHO TERRORISTA: Amanhã o Papa estará em São Paulo e haverá uma grande manifestação ao meio-dia na Praça da Sé das Católicas Pelo Direito de Decidir. Eu estarei lá.
:: Postado por
Fhoutz
às
12h12
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Um dia desses eu escrevi aqui que Nirvana foi a banda da minha adolescência. Hoje eu estava ouvindo de novo o segundo disco dos Strokes (pra mim nada supera o primeiro, mas isso é polêmico) e cheguei à conclusão que provavelmente esta foi a banda da minha "pré-adultescêscia" ou seja lá o nome que dão pra quando a gente tem já tem 20 e poucos, mas menos de 25. Houve outras bandas que eu curti muito neste período, mas acho que Belle and Sebastian e Strokes foram as que eu mais pirei. Pelo menos são as que eu escuto hoje e penso "nossa, como isso é legal".
:: Postado por
Fhoutz
às
10h36
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