Admirável vida nova
É meio clichê falar isso, mas pequenas mudanças no cotidiano fazem uma diferença enorme na vida da gente. Eu pensei nisso porque uma professora estava falando sobre o estereótipo do intelectual que não vai à praia, só bebe e conversa. Do intelectual carrancudo e sarcástico, desagradável. Nossa, isso é tão chato. Eu gosto muito de beber e conversar, mas gosto tanto de ir à praia! Aliás, eu gosto tanto de praia que ela me basta. Quando estou na praia não preciso de bebida, de cigarros, de baladas, de nada muito sofisticado. Só protetor solar e água de côco e sentir o vento, a areia, a água, o sol.
É muito curioso perceber que a simplicidade é algo complicado de se atingir. Paradoxal, no mínimo. Eu ando me permitindo dar mais risada e viver uma vida mais simples e saudável. Com pequenas coisas. Como fazer minha meia horinha diária de esteira. Ou preparar para mim mesma (ou para as pessoas que eu gosto) pratos coloridos, cheios de legumes, pouco calóricos e muito nutritivos. E estou passando menos tempo no computador. De que me serve mesmo tanta informação, tanta dor nas costas? Não é porque ultimamente o meu humor anda bom. É diferente do humor maníaco que é tão perigoso quanto a depressão. Estou mais leve, é isso. Mais confiante, mas sem perder a noção da realidade.
Esta semana eu li "Admirável Mundo Novo". O livro é fantástico, cheio de referências à obra de Shakespeare. Até agora estou pirando nas idéias dele. Pra falar a verdade estou me sentido até um pouco mais inteligente, porque já havia lido algumas peças citadas na obra do Huxley. A única inconveniência dessa leveza toda é que eu "desaprendo" a escrever. Fico muito redundante quando estou feliz.
CANTINHO TERRORISTA: Será que essa sessão deveria se chamar "cantinho pacifista"?
:: Postado por
Fhoutz
às
11h01
::
:: Enviar
esta mensagem
Janelas do meu quarto
Tem um trecho do famoso poema Tabacaria, do Fernando Pessoa (o poema mais manjado do mundo, creio eu), que ele fica divagando sobre as pessoas e as coisas que vê das janelas de seu quarto. As pessoas não sabem quem ele é, e se soubessem é possível que não ligassem. E há o dono da tal tabacaria do outro lado da rua. Com todo respeito que eu tenho a esse poeta, as janelas do meu quarto são muito mais legais. Um tempo atrás vi duas crianças do meu prédio. O menino deve ter uns 9 anos e a menina uns 3. São irmãos. Esses dois protagonizaram uma das cenas mais lindas que eu já vi na vida. O menino estava esperando a kombi da escola, na companhia da irmãzinha e da mãe e quando ela chegou ele deu um abração na menininha. Daí a mãe abriu o portão e a pequena ficou com os bracinhos esticados pelo meio da grade dando acenando pro irmão até ele ir embora. Foi lindo. Cenas assim dão vontade de viver. Do mesmo jeito que dá vontade de viver quando eu vejo meu namorado saindo de minha casa e dando tchauzinho de dentro do carro ao sair da minha rua. A vida pode ser muito ruim em muitos aspectos (e eu acho que é na maioria das vezes), mas há cenas vistas pela janela que me fazem sorrir só por lembrar.
CANTINHO TERRORISTA: Ser esta rua, se essa rua fosse minha, eu não sairia mais daqui.
:: Postado por
Fhoutz
às
20h29
::
:: Enviar
esta mensagem