Cozinhar é uma arte morta
Será que é por isso que é tão bom?Não sei se já contei isto aqui, mas de vez em quando sou assolada por pequenas obsessões. Elas vêm nas formas mais variadas: desde um desejo incontrolável de pintar os cabelos de vermelho até comprar uma bicicleta, passando por idéias extremistas que raramente serão realizadas (como me converter a uma religião “exótica” ou tentar a vida como garçonete na Europa). A minha última obsessão é bem mais simples e plausível: ando com delírios de que sou uma grande mestre-cuca. E por incrível que pareça, acho que levo jeito pra coisa.
Cozinhar é uma arte morta. Quantas pessoas você conhece, leitor, que sabem cozinhar alguma coisa alguém do básico do básico? Mães de família, principalmente as em tempo integral não contam. Entre meus amigos são raras aqueles que sabem fazer algo além de arroz e macarrão. E isso contando os vegetarianos (que sabem fazer soja). Mas a vida tem dessas surpresas e eu decidi me aventurar nessa seara por causa da necessidade. Coisas de quem mora sozinho e cansou de comer miojo e congelados (ou está ficando muito gorda com essa dieta).
É engraçado porque de uns anos pra cá cozinhar virou coisa de homem. Um atrativo a mais para os moços. É comum ver meninas comentando: ele é gentil, inteligente, engraçado e ainda sabe cozinhar! De fato os melhores cozinheiros da minha faixa etária, que eu conheço pelo menos, são homens. Por que será? Acho que é porque, nós moças, tendemos a ver a cozinha como algo a ser evitado. Coisa de Amélia, sabe? Mas, por ter voltado a morar sozinha e ter me tornado responsável pela minha alimentação eu descobri que adoro cozinhar.
Faço minha comida com capricho, com temperos cortados miudinhos e separados em vários recipientes, como os chefs. E acabo minha tarefa quase sempre satisfeita. Não sei explicar por que isso é tão bom. É terapêutico, mesmo considerando alguns acidentes, como molho com gosto de cebola queimada ou frango duro com gosto de vinagre. Vai ver que é porque eu gosto muito de comer. Mas não é só isso. Gosto de testar receitas, de fazer uma comida bem apresentada, colorida e cheirosa e depois servir às pessoas que amo, mesmo que muitas vezes isso signifique fazer apenas o meu prato. Tenho testado várias receitas vegeterianas. Eu não sou vegetariana, mas sou simpatizante. Já foi uma das minhas obsessões, mas não deu certo devido a meu apego passional ao bacon e às coxinhas de frango.
Um dia desses eu li na Internet sobre um movimento chamado slow food, que seria uma resposta ao fast food. Envolve apreciar a comida, escolher os ingredientes com cuidado. Enfim, é uma arte. E a arte sempre faz com que as atividades cotidianas pareçam melhores. Ontem, domingo de Páscoa, eu fiz um “almoço de família”. Preparei um moussaká para meu namorado, minha irmã e meu cunhado. Foi muito bom vê-los sentados à mesa, mas também foi ótimo vê-los repetir e deixar a forma vazia. É o tipo de coisa que não sentimos quando vamos à restaurantes. Claro, há o problema da louça suja. Mas isso nem é tão ruim assim. Ainda mais se seus convidados são educados e se oferecem pra ajudar.
CANTINHO TERRORISTA: Eu finjo que sou moderna, mas na verdade sou uma dona de casa dos anos 50. E não me falta nem o vestido de bolinhas!
:: Postado por
Fhoutz
às
22h44
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