
Fale agora ou cale-se para sempre
Há pessoas com quem nunca consegui me comunicar.
Não é que elas fossem burras, surdas ou não tivessem nada a dizer. Ou a ouvir.
Simplesmente há pessoas com quem eu não consigo me comunicar.
E olha que eu costumo ser boa nessas coisas de jogar conversa fora.
Mas existem pessoas que possuem um abismo intransponível
Pessoas cuja companhia me é insuportável
Porque não há nada a dizer
E nem a ouvir.
Não é culpa delas
Não é culpa minha
Não sei se existe algum culpado para isso.
Somos humanos, possuímos a habilidade da fala.
Devemos ter alguma coisa em comum em nossa história de vida.
Algum gosto, alguma opinião,
Algo que me faça pensar “que pessoa fantástica”
Ou o contrário.
Que eu pense que jamais conheci tanta cretinice em um ser humano.
O que me importa é saber que há um ser humano
Porque só assim mantenho cativa a minha humanidade.
Porque não há sensação mais incômoda,
Essa sensação de coisa, objeto inanimado
Se é que isso existe,
Dessa coexistência vazia de palavras e de sentido.
No fundo, quando eu me deparo
Com quem não consigo me comunicar
A impressão que tenho é que não valemos nada
Um para o outro. E eu não consigo me acostumar com a idéia.
No fim das contas, toda essas erupções de sentimentos, de dor e de fúria
É uma maneira de lutar contra a indiferença
E no entanto ela se coloca entre as pessoas gigante, soberana.
CANTINHO TERRORISTA: O silêncio eterno desses espaços infinitos me apavora.
:: Postado por
Fhoutz
às
16h22
::
:: Enviar
esta mensagem
Ai, pára!
Como foi que de repente as pessoas se tornaram grandes clichês?
O título de hoje é uma referência a uma expressão irritante que aparentemente está em voga. Já ouvi de duas pessoas de círculos diferentes. Você está lá contando algum “causo e de repente alguém solta um: “ai, pára!”. Isso é pior do que as pessoas que dizem “entendi” quando você explica algo. Pra mim, “entendi” é uma forma covarde de te mandar calar a boca. E sabe, eu gosto mais das pessoas mal-educadas que das covardes.
Mas não é disso que eu quero falar. Eu lembrei do “ai, pára!” porque é uma expressão-clichê usada por pessoas clichês. Você sabe, normalmente quem diz “não me rotule” é a primeira a vestir qualquer carapuça achar mais “tendência”. Por isso, você leitor fique a vontade para me colocar um carimbo de “escritora de blog mal-humorada” na testa. Não visto, mas também não atirarei a carapuça longe.
Hoje eu estava assistindo um programa na MTV chamado Vida Log. Bem, eu deveria imaginar que um programa com um título desse e que passa nessa emissora não poderia ser boa coisa. Mas de vez em quando eu gosto de assinar meu tempo com coisas idiotas. Minha teoria é que a MTV se perdeu depois que seus apresentadores e o povo “da cena” passaram a ser mais importantes que a música. Esse programa é um indicativo disso.
O tal programa apresentava a “vida” de duas “pessoas comuns”. Um era um mocinho de cabelo rosa, provavelmente pansexual (de tão moderno que era), que – supresa!- cantava numa banda e era modelo nas horas vagas. O outro era um cabeludo estilo metal-elegante que mostrava o apartamento em que ele “cozinhava para a esposa”. Quando apareceu o mocinho andrógino tocou Placebo, Chemical Brothers e Marilyn Manson. Quando apareceu o cabeludo tocou Hellacopters, Doors e Jimmy Hendrix. Eram as músicas que estavam nas “playlists” deles, segundo a legenda do programa.
Agora diga, leitor. Quantas pessoas você conhece que se encaixam nas descrições acima? O rapaz moderninho e magrelo que pinta o cabelo, usa maquiagem e é tão “livre” quanto a sua sexualidade e que gosta de música eletrônica e rock meio “dark”.Ou rapaz cabeludo que seduz a mulherada cozinhando e gosta de rock “de macho”. Ai, pára!
Uma vez eu conversei com um amigo as coisas que essa cidade faz com as pessoas. São Paulo tem tanta gente que as pessoas precisam desesperadamente de uma identidade. Só que aparentemente as identidades são como os signos: não existem muitas opções. Então, se você está no circuito-da-elite-financeira-e-intelectual-paulistana-centro-zona-oeste há um pequeno leque à sua escolha. Quase todo mundo que eu conheço nesta cidade é: a) hippie-brazuca-da-Vila-Madalena b)moderninho-tatuado-da-Augusta c) aspirante a intelectual-uspiano/pucciano d) universitário que gasta todo o dinheiro do pai em pó (maconha é coisa de hippie da Vila) e) vegetariano chato membro de alguma cena musical e/ou ativista f) profissional liberal jovem e arrogante.
De repente me ocorre que é possível que alguém se sinta ofendido com os meus tipos. Não é isso. Se de repente você deixar um comentário aí dizendo que eu sou qualquer letra dessas, eu não vou ligar, porque eu até me vejo um pouco nessas letras. O caso é isso me dá uma preguiça danada do mundo e das pessoas.
Se você conhece alguém com um visual moderninho e tatuado, há grandes chances daquela pessoas gostar de baladas na augusta. E de beatnicks, de drogas sintéticas, de rock alternativo. Se você conhece alguém na universidade, há uma grande chance da pessoa ser louca por cerveja, adorar samba e Jorge Ben e se for mulher, querer dar pro Chico Buarque. Até na academia a coisa é meio, diga-me que autor gostas e eu te direi quem é teu orientador.
É incrível, a gente abre o Orkut da maioria das pessoas e já sabe exatamente o que vai encontrar. E isso numa cidade de 15 milhões de pessoas é muito chato. Não que eu não conheça pessoas legais. Mas elas são tão raras!
CANTINHO TERRORISTA: E não venha me dizer que todo mundo é clichê, pois eu te direi, “Ai, pára!”.
:: Postado por
Fhoutz
às
20h38
::
:: Enviar
esta mensagem
![]() ![]() ![]() |
BRASIL , Mulher , Cultura, alienação, tédio e desespero. |
Meu Humor
Links
::
Comunidade da Oficina Irritada no Orkut
::
Losing My Mind
::
Meninas Super Furiosas
::
Deconstructing Dani
::
Oficina Irritada - Episódio I
::
Meu Fotolog
::
Absynto
::
Artefato
::
Ancorada no Espaco
::
Notas do velho safado
::
Antropófago Urbano
::
GUITARCHITECTURE
::
Heavy Smoker
::
Minicertezas
::
Punk Canibal
::
Vezenquando
::
Beerarchitecture
::
Borderline
::
Que puxa!
::
Maryland
::
Cannibal Café
::
Ricto
::
No mundo a passeio
Votação
..:: INDIQUE ESSE BLOG ::..
Visitas
Créditos
Layout por
..:: Carmem Design ::..
Todos os direitos reservados ©