
Noite passada uma aula salvou a minha vida
Todo mundo tem várias histórias sobre algo que um dia lhe salvou a vida. Quando eu estava entrando na puberdade foi um disco, Help!, dos Beatles. Era o início dos anos 90 e por mais inapropriado que aquilo parecesse para uma menina de 10, 11 anos, foi um divisor de águas. Mais uma vida perdida para o roquenrou e definitivamente salva por ele.
Veio então a adolescência e vários outros salvamentos. Um rapaz suicida que cantava numa banda de Seattle. Um poeta mineiro que traduzia exatamente a sensação que eu tinha de ser gauche na vida. Um filme sobre uma escola repressora com meninos que se escondiam em cavernas para ler poemas sob a luz do fogo. A descoberta de eu poderia ser livre se tivesse comigo uma caneta e um pedaço de papel.
Foram tantos resgates. A impressão que eu tenho é que sempre houve um filme, um disco, um livro, em alguns casos até pessoas, que impediram, em algum momento, que eu precipitasse no caos. Uma vida inteira como uma bailarina que dança à beira do precipício.
Houve um cineasta espanhol cujas personagens eram meio loucas, falavam alto, choravam muito e eram assim, passionais até a medula, exatamente como eu. Houve um escritor de Los Angeles que descrevia o outro lado do sonho americano e que me fazia querer escrever como ele. Que me fez pensar que ao mesmo tempo em que sempre havia algo me afastando de mim mesma, sempre havia o que me reaproximasse. Como um amigo que me mostrou as músicas que pareciam falar da minha vida inteira. Como as pessoas que me amaram apesar de todos os meus defeitos e algumas vezes, por causa deles.
Na noite passada foi uma aula que salvou a minha vida. Porque havia novamente a tempestade e eu estava sendo arrastada pela torrente infinita dos pensamentos terríveis e de algumas mágoas que não cessam. Mas eu estava lá, diante de um professor cujas aulas que me fizeram repensar o que quero da vida, o que quero de mim mesma. Que me fez lembrar, por meio de suas palavras, que nós não escrevemos para mudar o mundo ou para ficar na história.
O único motivo pelo qual nós escrevemos é para resistir. E em suma, é isso que vem salvando a minha vida sempre que sou confrontada por um desejo quase irresistível de jogar a toalha, de ir embora.
CANTINHO TERRORISTA: Esse texto me lembra o refrão de uma música do Sepultura. Alguém saberia qual?
:: Postado por
Fhoutz
às
14h08
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No future
Quanto mais eu estudo, mais descrente eu fico em relação ao futuro. Do jeito que a coisa está, a cada dia eu tenho mais certeza de que o mundo não tem jeito. É claro que você não precisa fazer especialização e mestrado para chegar a essa conclusão. Provavelmente eu é que sou muito lenta. Algo que me preocupa são as crianças. Primeiro porque elas vêem Rebelde (há um post passado sobre isso) e profanam o termo. Segundo por causa dos pais.
Vejam só, eu conheço pais que são maravilhosos. Eles dão livros aos seus filhos e os levam ao teatro infantil, dão brinquedos educativos e cds de músicas muito legais. Mas esses pais não contam, porque são meus amigos e todos os meus amigos são o máximo. O que me deixa perplexa é que a próxima geração vai ser criada por órfãos da década de 80. E eu já me enchi disso faz alguns anos.
Eu li em algum lugar algo sobre como a minha geração demora mais para amadurecer. A minha mãe aos 26 anos já era uma mulher com oito anos de casamento e três fihos. Eu aos 26 vivo como se tivesse 20 (não mais 18, porque agora eu estou noiva, hahaha). Aparentemente 26 anos corresponde ao 21 de duas décadas atrás. E isso dá medo, porque eu imagino que boa parte dos coleguinhas dos meus filhos vá ser criada por pessoas meio retardadas que choram na balada ao ouvir Balão Mágico. Ou seja, o mundo está perdido.
Primeiro as melissinhas. Depois, a Hello Kitty. Agora quem voltou foi a Moranguinho. Eu adorava as duas, mas fico com um pouco de ciúmes do revival. Deixem a minha infância ser minha, ora! A impressão que eu tenho é que os pais meio retardados querem que seus filhos tenham exatamente a mesma infância que eles. Mas, desculpem, queridos, o tempo era outro. E como diria Cazuza, o tempo não pára.
CANTINHO TERRORISTA: Não vou me surpreender se daqui a pouco voltarem Querido Pônei ou os Ursinhos Carinhosos.
:: Postado por
Fhoutz
às
11h55
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