BRASIL, Mulher, de 26 a 35 anos

 

   

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Oficina Irritada - Implicante, mal-humorada e metida a besta



 

Back to basics

 

Voltei.

Nos últimos dois anos fiz uma tentativa de um blog novo, porque as coisas aqui não estavam funcionando muito bem. Mas também não funcionou muito bem lá, então, cá estou eu de volta. Como diria o Weezer:

It's time i got back, it's time i got back
And I don't even know how I got off the track
I wanna go back…Yeah!

É isso aí.

CANTINHO TERRORISTA: Não há lugar como o lar.

 



Escrito por Fhoutz às 11h51
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O fim da Oficina Irritada

Depois de sete anos (?) percebi que este blog já deu o que tinha que dar. A Oficina Irritada já morreu faz um tempo e havia esquecido de deitar. Não é de hoje que tenho estado desanimada para escrever e só agora entendi a razão. O blog desandou já faz um tempo quando eu fui deixando de ser a pessoa que era quando comecei a escreve-lo. Eu não tenho muita certeza de quem sou agora, mas eu sei que não sou mais a pessoa que era antes, que era perfeitamente representada pela figura da taça de vinho, maço de cigarros e um revólver. Boemia, álcool,cigarros e fúria. Eu não sou mais assim. Sou cada cada vez mais diurna, cada vez mais caseira, cada vez menos todas as coisas que fizeram a identidade deste blog. E cada vez menos ranzinza e triste também e por mais que eu me recuse a acreditar que são os sentimentos ruins que produzem bons textos, não posso negar que a inspiração deste blog era alimentada por mágoa, cinismo e rancor. Tentar manter este espírito me parece falso e eu não sei se quero. Ultimamente eu vinha tendo a sensação que eu tinha ao escrever estes textos pretensamente rabugentos era a que estava sendo cover de mim mesma. Foi aí que eu percebi que tinha acabado.


A verdade é que eu cansei. Cansei do drama, cansei do triste espetáculo da exposição das minhas entranhas, cansei das polêmicas. Quero fazer outra coisa, mas ainda não tenho certeza do que. O que sei é que é preciso saber sair de cena enquanto ainda nos resta alguma dignidade e não ficar prolongando a vida além dos limites da própria vida. Tive ótimos momentos com este blog e sou imensamente grata a todos que tiveram paciência para voltar a esta página durante todos esses anos. Sentirei falta de entrar para ver se há comentários, até mesmo dos mais chatos. Mas as coisas têm sua duração e este blog já era.


A você, leitor, meus mais sinceros agradecimentos pela leitura e pelos comentários. Foi bom enquanto durou. Tenha uma boa vida.


Adeus.


CANTINHO TERRORISTA: The end is not near, is here.



Escrito por Fhoutz às 18h42
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"Extinto" maternal

Duas coisas me fizeram deixar pra lá esse negócio de querer ter filho: meu gato e a piscina. Meu gato me supre a vontade de ter um bebê porque é pequeno, fofinho, cheio de ronrons de carinho e dorminhoco. Além disso, ele é silencioso na maior parte do tempo, posso deixá-lo sozinho quando me é conveniente, não preciso banhá-lo e, a maior vantagem de todas, eu não preciso ter contato com seus excrementos.
A piscina me tira as energias que uma criança me tiraria. Minha mãe quando tinha minha idade pesava menos de 50 kg e eu tenho certeza que isso tem alguma coisa a ver com ela passar o dia correndo atrás de três criancinhas infernais. Mas o verdadeiro papel que a piscina desempenha na mitigação dos meus instintos maternais despertados pelo casamento é me relembrar quão insuportáveis são esses seres pequenos. Sempre tem algumas crianças fazendo aula de natação na raia ao lado ou correndo pelo vestiário. E gritando, sempre gritando.
Crianças são na maior parte do tempo chatas, barulhentas e remelentas, características que me lembram muito os cães. Os cães latem demais, se sujam demais, lambem demais, bagunçam demais. Deve haver alguma associação do tipo “pessoas que adoram cachorros têm maior probabilidade de gostar de crianças”. Minha avó adorava cachorro e criança, mas a minha relação com esses entes é a mesma: gosto de alguns deles, acho bonitos, mas não quero muita intimidade.
Vai ver é por isso que eu gosto tanto de gato.

CANTINHO TERRORISTA: O gato é o melhor amigo da mulher. Pelo menos desta que vos escreve.

Escrito por Fhoutz às 18h06
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Preguicite aguda

Tempo frio me dá muita preguiça. Sendo uma pessoa naturalmente preguiçosa, no frio isso vai ao limite. A única coisa que dá vontade de fazer é dormir e ver televisão. Meu gatinho Zaratustra me acompanha nesta tarefa. Ele acordade de vez em quando, enche meus móveis de marcas de patinhas, me morde e arranha um pouco, usa a caixinha de areia, come e volta a dormir. Somos bons parceiros nesta extenuante tarefa de não fazer nada. Acreditem, dá trabalho passar o dia vadiando, especialmente quando você não tem dinheiro pra pedir comida por telefone. Falando em comida, hoje eu vi o programa da tal Nigella. Nunca tinha visto e não aguentei 10 minutos. Ô mulherzinha insuportável, meu deus! Uma espécie de Ana Maria Braga pedante e toda lânguida. Podre, podre.
Que sono! Eu tenho uma dissertação pra escrever, alguns livros pra fichar, uma casa pra limpar e estou com muita vontade de experimentar uma receita nova. Mas só de pensar no trabalho que tudo isso vai dar eu já me sinto cansada e desisto. Fico sentada no sofá vendo tevê e funçando na internet. A pior e melhor coisa que existe para uma pessoa preguiçosa que trabalha em casa é o laptop. O tempo está correndo. Julho já está aí e eu devo ter só umas 12 páginas escritas. Falta 10 meses pra expirar o meu prazo e eu ainda nem qualifiquei. Ou seja, eu estou com a corda no pescoço. E por incrível que pareça ainda não consegui me desesperar. Estou com preguiça!

Escrito por Fhoutz às 18h19
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Cada dia ando menos inspirada para escrever para este blog. Tenho estado muito ocupada ultimamente e sempre que calha de eu ter alguma idéia legal estou longe do computador. Mas tem um lado que é porque eu ando enjoada mesmo, acho que meus textos já não mais lá essas coisas e a audiência persistente de comentártios cretinos é algo que me aborrece, ainda mais porque são comentários anônimos e eu detesto gente que não tem cara de assumir suas críticas. E eu não vou dizer que não ligo a mínima pro que as pessoas pensam, porque seria mentira e honestamente eu acho que quem diz que não liga nadinha para que os outros pensam, ou mente ou é um psicopata. Eu ligo pro que as pessoas pensam, claro. Passei a vida me chateando por causa disso e vou continuar provavelmente. Não é o tipo de coisa que governa a minha vida, mas aborrece um pouquinho.
As vezes penso em começar tudo de novo, num novo endereço, talvez com pseudônimo. Ah, mas isso me parece tão bobo e me daria tanto trabalho... Ou simplesmente fazer um blog paralelo, pra contar histórias malucas que aconteceram mesmo, mas que não são pra todos. Mas isso parece coisa de gente paranóica, eu acho que o que tiver de escrever num blog que seja neste aqui e pronto. E que venham os chatos, não serão os primeiros nem os últimos a me azucrinar, porque eles vêm e passam enquanto eu fico, de um jeito meio perdido, mas fico.

Escrito por Fhoutz às 18h53
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Resmungos refriados

Gripe de mais de duas semanas e eu aqui há uma semana sem cair na piscina... O dia rende muito quando se acorda cedo, não sei como as pessoas conseguem. Eu nem acordo tão cedo assim, mas é bem mais cedo que eu costumava me levantar. Ultimamente tenho acordado por volta das 9h30, o que convenhamos é um horário bem razoável. O que me deixa louca da vida é que ainda tem gente que tem a cara de ligar domingo antes das 10h porque acha que todo mundo tem que estar acordado. E tem também os que ligam durante a semana mesmo e dizem "Acordou agora? Que vida boa". Acho acintoso alguém manifestar suas opiniões sobre o horário que uma pessoa acorda, assim como acho péssima as pessoas irem à sua casa e dizerem o que elas acham que você deve fazer. Pensando bem, eu acho que ninguém deveria dizer nada nunca a ninguém que não fosse conversa geral, do tipo "viu a novela ontem?", "vamos ao cinema sábado", "tens visto Fulano" ou o bom e velho "como você está, como vai a família". Não me faça recomendações, não me diga o que você acha do meu estilo de vida. Não estou interessada, se eu estivesse interessada perguntaria.

Se tem uma coisa boa do capitalismo é a vida extremamente individualizada e disso eu sou totalmente a favor. Tomemos como exemplo o meu esporte preferido, a natação. Não sei se é tanto pela ótima sensação que tenho ao nadar ou se é por ser uma atividade individual que eu gosto tanto. Nadando eu não sou obrigada a usar um tênis da moda e nem a aturar os olhares de reprovação porque eu não tenho o tênis ou o corpo da moda. E não tenho que ouvir conversinhas de academia, eu não tenho que ouvir nada e nem olhar pra ninguém. Somos só eu, a água e os azulejos da piscina. Pra ser perfeito só faltava ser a piscina inteira só minha. Porque se nadar é maravilhoso, não tem nada tão eficiente pra estragar este prazer que outra pessoa na mesma raia que você. Outra coisa chata é o vestiário, porque eu não sei quanto a você, leitor, mas pra mim é extremamente desagradável ter que tomar banho com meninas de 15 e senhoras de 60. Porque se não bastasse eu ser obrigada a ver toda essa gente estranha nua e ficar nua diante delas, eu ainda sou obrigada a ouvir as conversinhas que vão de planejamento de festas de debutantes ao plano de internet que o filho da dona sicrana colocou na casa dela.

CANTINHO TERRORISTA: Gripe me deixa muito mal-humorada.

Escrito por Fhoutz às 17h49
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Travando e andando

Depois que você passa quatro anos estudando um assunto, especialização e mestrado, chega a hora de um dia produzir uma dissertação. O problema é que eu tenho que explicar coisas que eu já sei pra pessoas que também já o sabem, a banca. Isso me dá uma sensação de estar tentando ensinar o Pai-Nosso ao vigário. No meu antigo trabalho eu simplesmente escreveria algo como "Destino Manifesto" no meio da frase e pronto, faria de conta que o leitor sabe o que é isso e se não sabe problema dele, que procure no Google se quiser. Na academia é diferente, as coisas têm que ser bem explicadinhas, com citação da fonte, ano de publicaçãoe página. Nessas horas eu até sinto falta do meu antigo trabalho. Só que no meu antigo trabalho eu não escrevia com um gatinho dormindo no meu colo. E se tem coisa mais bonita que ver um gato dormindo é ver o gato dormir no seu colo. Acho que vou nadar um pouco pra ver se me inspiro. Há! Fala sério, mesmo travada eu adoro este "emprego". O chato é que ele acaba e eu preciso entregar uma dissertação no final. Que puxa!

Escrito por Fhoutz às 15h07
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Continue a nadar, continue a nadar


Pensei em várias formas de começar um texto falando da natação, mas neste caso é totalmente "lógica da sensação". Como diria Deleuze, tem que experimentar, hehehehe. Eu poderia dizer que eu me sinto como um peixe dentro d'água, mas a verdade é que deve ser muito chato ser um peixe. Então prefiro dizer que me sinto como uma pessoa que ama nadar e que finalmente voltou para o lugar que nunca deveria ter abandonado, a piscina. Bastou dar as primeiras braçadas para dizer pra piscina "I really missed you, baby!". (Sim, eu falo sozinha em inglês e acho isso um pouco ridículo também). Enfim, hoje enquanto nadava pensei que eu realmente sou uma mulher de sorte. Tenho um marido que me ama e que eu amo loucamente, uma casinha fofa, amigos queridos e leais, uma família maravilhosa, um gatinho muito sapeca e amoroso chamado Zaratustra, a PUC e uma piscina pra nadar sempre. Acho que pra ficar melhor só faltaria minha família viver mais perto. Provavelmente esse é um dos melhores dias dos namorados de todos os tempos. Um dia comum, repleto de felicidade cotidiana. É assim mesmo que deve ser.

CANTINHO TERRORISTA: Depois eu escrevo um texto rabugento falando do lado chato e irritante da natação.

Escrito por Fhoutz às 17h56
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Hoje eu fui olhar meus e-mails e tinha uma chamada na página dizendo que "Preguiça de fim de semana engorda". Era só o que faltava. As pessoas já têm de ser disciplinadas a semana inteira pra ter direiro a dois dias de descanso, isso quando têm. Você vende cinco dias de sua semana pra poder aproveitar dois e agora querem adestrar o fim de semana também.

Escrito por Fhoutz às 12h47
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Como coca sem gás

Um dia inteiro de pijama, mas isso nem foi legal. Gripada, levemente deprimida. Sinto saudades do meu gatinho, estou com dificuldades em encontrar um novo filhote. Tenho um trabalho atrasado pra entregar, uma dissertação pra escrever, uma pilha de livros pra escrever e nenhuma disposição. Hoje eu não fui nadar por causa da gripe e nadar é uma coisa que me faz sentir muito bem. Ao invés disso eu fico enterrada neste sofá como se eu e ele fôssemos uma coisa só. Não sou mais uma pessoa, só uma coisa misturada com um sofá. Eu tenho um marido maravilhoso, que me ama tanto. Eu tenho uma casa bonita e confortável, eu faço o que gosto, não estou tendo grandes problemas financeiros. Meu pai indo muito bem, estou feliz com a minha família. E eu tenho amigos ótimos, que gostam de mim e riem das minhas piadas. Por essas coisas eu não fico mais no fundo do poço. Eu tenho motivos pra ser feliz, eu tenho sido muito feliz na verdade. O problema são esses dias em que a vida está assim, cinzenta. Será que é pela gripe? Será que eu ainda estou triste por causa do meu gato que morreu? Eu não sei! Como diz aquela musiquinha dos anos 90, há dias que a vida parece coca-cola sem gás. Ou semanas. Eu sei, elas passam e em breve o sol volta a brilhar. Sabe, eu conheço o fundo do poço, eu já estive lá e sei que isso não é nada perto do que costumava ser. Mas ainda assim é duro.


Escrito por Fhoutz às 22h23
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Final feliz?

Mais uma novela que acaba e mais uma decepção. Cadê o beijo gay?! O capítulo até começou bom, parece que o autor resolveu realizar na novela tudo que ele queria que acontecesse na vida real: senadora perua oriunda do movimento "Chega!", primeiro Oscar para o Brasil, família fora dos padrões que consegue por nome de dois pais no registro de nascimento e casamento gay. A cena foi cortada no momento que os atores deram as mãos e eu confesso que fiquei arrasada. Estava pensando "Uau, células-tronco e beijo gay na novela na mesma semana", mas vi que me animei cedo demais. Como é que pode mostrar a novela inteira a mulher descendo pelo cano pelada e não pode ter uma bitoquinha de pessoas do mesmo sexo, que por sinal estavam numa relação muito monogâmica e caretinha? Por que pode família de dois pais e não pode beijo de dois noivos? Ai, isso me deprime. Nessas horas eu penso em todos os casais que eu conheço ou conheci que não ousam segurar as mãos em público, quanto mais beijar-se em público. Arghhhhh, emissora desgraçada!

Escrito por Fhoutz às 22h12
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Hello, darkness, my old friend

Transformações incorpóreas dos corpos. Os sentimentos e os estados variados de humor existem, mas é quando damos nome a eles que eles ganham cores, gradações, status de doença, de síndromes, de transtornos. Mas como já disse o sábio filósofo francês, não há nada mais passional que a racionalidade pura. Por isso eu lembro que os sentimentos, sentem-se, não se explicam. Mas não deixo de pensar por que razão ela sempre sempre está de volta. Essa escuridão, essa gastura, essa tristeza sem nome que reaparece de tempos em tempos. Houve um tempo que eu sentia falta "do conforto de estar triste", mas agora esta sensação só me atormenta. Por que, por que você voltou? Por que sinto-me tão impotente, tomada por esta sombra, essa nuvem negra que se move sobre a terra e que teima em pairar justamente sobre minha cabeça? A única solução é deitar e esperar que vá embora. E não adianta pensar que ela se foi pra sempre. Ela sempre está de volta, essa velha amiga, a tristeza.

Escrito por Fhoutz às 13h07
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Mais um post sobre novela

(Pronto, um título antitucanês. Um dia desses me deixaram um comentário de que esse blog já foi mais interessante. Eu aposto que sim, mas enfim, a gente escreve sobre o que está vivendo. Eu já escrevi sobre ficar bêbada e tragicomédias com bofes, hoje escrevo sobre luto pela morte do meu gato e novela. Paciência, ou é isso ou então eu vou falar de Deleuze, minha última paixonite filosófica. Melhor ir de novela.)

Gente, o que foi aquela cena da Sílvia na novela? A mulher pula muro de salto alto e não perde a pose. Só por isso ela já merecia um prêmio. Mas vocês sabem, vilã de novela morre, vai presa ou fica louca. Como essa vivia de camisola e gostava muito de homem, teve punição dupla que é pra se aprender a se comportar. Foi presa e ficou louca, que é pra dar o exemplo. Camisa de força e tudo, cruzes. Quando a gente pensa que a luta antimanicomial está aí pra ficar sempre aparece uma dessa. Ai, que absurdo!

Mas eu acho que isso não é o pior desta novela. O pior é que a mocinha é mãe solteira, trabalha de caixa de supermercado e mora num apartamento bem arrumadinho, só usa roupas bonitas, está sempre maquiada e com o cabelo bonito, tem empregada e o filho dela estuda em colégio privado e tem um laptop no quarto. E enquanto isso eu aqui celebrando o enorme aumento que o governo concedeu pras bolsas de mestrado e doutorado no país. Vocês sabem, nós pesquisadores ganhamos muuuuuito bem. Vai ver é pras pessoas não se meterem a besta com esse negócio de produção de conhecimento, porque, segundo nos mostra a novela, se você se for esforçado pode viver muito bem sendo caixa de supermercado. Mas tem que ser esforçado, viu?! E bonzinho.

Isso me lembra uma cena de um dos meus filmes preferidos, Um Príncipe em Nova York. É quando o funcionário da lanchonete diz pro Eddie Murphy que ele começou varrendo o chão, está lavando alfaces e que em poucos anos deve chegar à subgerente e aí, sim, vai começar uma graninha. Pois bem, meus amigos,hoje eu estou nesse miserê do mestrado. Mas em breve estarei no doutorado e dentro de cinco anos terei uma bolsa de pós-doc. E aí sim começa a rolar uma graninha. Cinco anos, hein? Bom, antes tarde que nunca, porque como diria a musa, tô de saco cheio de ser pobre, hahahahaha.

CANTINHO TERRORISTA: Só em novela é que a gente vê médico pobre e caixa de supermercado que mora em condomínio chique.

Escrito por Fhoutz às 22h33
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Chega de tristeza, vou adotar outro gatinho. O problema é achar um filhote que seja tão legal quanto o Caramelo. Ele era o gatinho perfeito.


Escrito por Fhoutz às 11h12
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Caramelo morreu hoje. O veterinário disse que provavelmente ele já veio pra cá com alguma doença encubada, por isso só notamos que ele estava doente quando já era tarde demais. Fiquei com ele no consultório por cinco horas. Ele lutou muito pra viver, mas estava muito fraquinho. Ele dormiu a maior parte do tempo em que ficamos lá, devia estar tentando se recuperar. Mas antes de adormecer ele ainda se levantou e veio pra junto de mim. Agora ele se foi e a minha casa está tão grande e vazia. Pra onde eu olho eu vejo meu gatinho. Sinto tanta falta dele que mal posso escrever essas palavras sem ser tomada por uma dor enorme. Ele era tão pequeno e frágil, tão cheio de amor.

Nós só convivemos durante uma semana, mas não precisou de mais que alguns dias para que eu o amasse. Eu o amei a cada minuto, a ponto de pensar como eu pude passar a vida toda sem um bichinho. Nós o enterramos no quintal da casa do nosso coletivo. Meu marido escreveu na plaquinha "GATINHO CARAMELO - Viveu 2 meses e alegrou a gente por 1 semana" e aí nós viemos pra casa. É horrível chegar em casa e não ouvir seu miado pedindo pra que abríssemos a porta. Ou deitar no sofá pra ver televisão e não ter ele sobre minha barriga. Abrir a porta da cozinha e não vê-lo entrar e pedir colo. Ele subia pela nossa perna e ficava lá, era tão lindo. Amanhã eu vou acordar e não vou vê-lo tomando seu solzinho que ele tanto gostava. Eu não vou mais acariciar o seu lindo pêlo laranjado e me sentir felicíssima só porque ele estar em casa. Ele era o melhor gato de todos. Ele era o meu gato. O nome dele era Caramelo e eu estou sentindo muita saudade.

Escrito por Fhoutz às 22h23
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